segunda-feira, 10 de março de 2008

O Cine AGREDE tem o prazer de lhe enfiar na goela a continuação do Planeta dos Macacos: De volta ao Planeta dos Macacos (1970)

Publicado originalmente em 10 de março de 2003 no extinto site naguerra.com. Sem alterações, sendo assim toda vez que vc ler a citação: "nesse site" entenda que me reporto ao naguerra onde o texto foi escrito originalmente e não ao Decreto AGREDE. Isso vai te ajudar a não ficar magoadinha.

DE VOLTA AO PLANETA DOS MACACOS (Beneath the Planet of the Apes, EUA, 1970)

Roteiro: Paul Dehn (baseado nos personagens de Pierre Boulle).Direção: Ted PostProdutor: Arthur P. JacobsCom: James Franciscus (John Brent), Chalton Heston (Comandante George Taylor), James Gregory (General Ursus), Kim Hunter (Dr. Zira), Maurice Evans (Dr. Zaius), Linda Harrison (Nova)Trilha sonora: Leonard RosenmanMaquiagem: John Chambers (ganhador do Oscar honorário pela maquiagem em 1968)

O ÚNICO HUMANO BOM É AQUELE QUE ESTÁ MORTO!” – General Ursus.Quem aqui de vocês já não ouviu essa frase, sem nem precisar ter visto nenhum filme da saga Planeta dos Macacos? E quantos de vocês sabiam que essa frase era de um tal General Ursus? Acredito que a grande maioria de vocês já tenha ouvido essa frase, que já está incorporada ao inconsciente coletivo pós-moderno, ainda que sem nem mesmo saber sua origem. Nesta frase reside o tom do segundo filme: violência até as últimas conseqüências. A luta entre humanos e macacos toma aqui proporções ainda mais trágicas. Menos impactante que o original, mas não menos perturbadora, essa continuação acrescenta uma série de elementos desconhecidos, maximizando a tensão e o desconforto do embate Homem versus Macaco.

Pra quem viu o filmeco do Tim Burton eu aconselho muito, MAS MUUUITO MESMO, uma olhada nesse segundo filme. NESTE SEGUNDO EPISÓDIO ENCONTRAM-SE AS MAIORES CARACTERÍSTICAS, QUE FORAM DEVIDAMENTE COPIADAS E PIORADAS, DO FILME PARA CRIANÇAS DE 12 ANOS E ADULTOS DE IDADE MENTAL EQUIVALENTE do diretor MEIA BOCA Tim Burton.Vendo os dois filmes originais nota-se que essa saga originalmente era séria. Vocês querem entretenimento fácil e emburrecedor? Então continuem com Tim Burton que sempre foi um diretorzinho “freak”, muito mais preocupado com esquisitices góticas do que em contar uma boa história. Para que se possa ter uma discussão plausível sobre Planeta dos Macacos é necessário no mínimo haver visto os dois primeiros filmes da saga.

Mas como grande parcela dos leitores deste site (NAGUERRA e não do DECRETO AGREDE, lembre-se do que escrevi no início) são destituídos de cérebro e bom senso, TENHO CERTEZA que ninguém vai alugar coisa alguma! Sabe como eu sei disso? PORQUE SUA MASSA CINZENTA NÃO COMPORTA O TIPO DE INFORMAÇÃO AQUI CONTIDA! Vocês se tornaram tão preguiçosos que não conseguem ler mais do que cinco linhas de horóscopo ou bula de remédio. Só que Fotos, blogues e guestbook tu sempre arranja tempo pra ver, né vagabunda? Então suma da minha coluna analfabeto(a) filho(a) de uma puta! Bem, se você persistiu, ficou curioso e continuou lendo você merece meu respeito. De Volta ao Planeta dos Macacos começa com uma breve revisão do final do primeiro filme e com o pouso de outra nave americana na Zona Proibida do planeta. O astronauta John Brent (James Franciscus) presta socorros ao seu capitão, que ficara cego na viagem. Eles haviam sido enviados em uma missão de resgate da tripulação do Comandante Taylor (Chalton Heston), que se perdera na Constelação de Órion. Pra quem não se lembra essa é a premissa do primeiro filme, mas larga de ser mané e vá no ARQUIVO logo ali em cima da página que tás lendo agora, e engate logo a leitura da crítica anterior!

Logo o Capitão da nova missão morre e Brent encontra a selvagem Nova (Linda Harrison - GATA demais!). Ao notar a placa de identificação de Taylor no pescoço da jovem, Brent pergunta pela localização de seu amigo, ao que ela é incapaz responder. O casal Taylor e Nova, ao partirem para a Zona Proibida no final do primeiro filme, vira-se vitimado por estranhas manifestações da natureza. E em uma dessas manifestações da natureza Taylor sumira. Brent pede a Nova que o leve ao encontro de Taylor, mas ela sem querer o leva à cidade dos macacos. Tsc, tsc..gostosa porém estúpida!

De uma colina Brent observa chimpanzés, orangotangos e gorilas em um anfiteatro assistindo o discurso inflamado do General Ursus (James Gregory). Ursus fala à população sobre a necessidade de uma expedição militar a Zona Proibida, alegando a urgência dos Macacos de dominar aquela região. Ao declarar morte aos Humanos, Ursus tenta justificar seu discurso racista afirmando que os humanos deveriam ser mortos não por possuírem a “pele branca”, mas por não conseguirem distinguir entre o bem e o mal. Ele termina por dizer que o único humano bom é aquele que está morto! Nitidamente o roteirista alfineta a sociedade branca e racista dos EUA com uma crítica sobre uma possível inversão de seus valores. Os gorilas representariam os IRMÃOS NEGROS, enquanto os humanos (todos caucasianos) seriam vítimas dos maus tratos e da intolerância dos sarará crioulos. Seria uma espécie de analogia ao fim dos heróis americanos.

Vendo aquilo o astronauta resolve fugir, mas na fuga ele é baleado no braço por um batedor gorila. Então Nova o leva aos cuidados da chimpanzé Dra. Zira (Kim Hunter) e de seu marido Cornelius. Estes se espantam com a aparição de outro humano falante e lhe contam o terrível destino dos companheiros de Taylor, Dodge e Landon, que agora estavam empalhados no museu.

O orangotango Dr. Zaius aparece na casa de Zira e Cornelius após uma discussão onde Ursus determinara sem maiores considerações que seguiria com o exército em uma empreitada pela Zona Proibida. Zaius vem informar ao casal que discorda da “cruzada” de Ursus, mas que teria de acompanhá-lo por ser o mais alto membro da religião e ciência símia. Ele pede a Zira e Cornelius que zelem pelos símios caso ele não volte. Ursus declara estado de guerra e os humanos são usados como alvos de treinamentos militares, servindo como treinamento em lutas, chicotadas e tiros ao alvo.
Aqui se deve estabelecer um paralelo entre o filme novo e o velho. Enquanto as pessoas que viram a refilmagem acham o General Thade e o seu braço direito, o gorila Attar, as criaturas mais assustadoras do filme, já achando que eles são “maus mesmos”, mal sabem que esses dois personagens são uma cópia dividida do General Ursus. Thade seria o ódio e a inteligência enquanto Attar seria a força bruta. Bem, quem viu o segundo filme sabe que o General Ursus é os dois personagens novos em um só. Thade pede permissão para o senado para caçar os humanos na zona proibida, enquanto Ursus no original não quer nem saber de pedir permissão ao Dr. Zaius, maior autoridade símia: ele organiza a expedição à zona proibida, para levar a morte aos humanos que encontrar. A cena da refilmagem onde as tropas de macacos saem aos montes da cidade é exatamente igual à mesma cena do original, o que prova mais uma vez a superioridade do segundo filme com relação à refilmagem. Nessa cena vemos chimpanzés com placas contra a guerra e pedindo paz, e Ursus irado retira os chimpanzés do caminho com suas tropas. Aqui novamente o roteirista faz uma crítica a sociedade americana, pois os chimpanzés pedindo paz seriam equivalentes aos manifestantes que se colocavam contra a guerra do Vietnã. Vocês percebem a semelhança de tratamento que o General Thade da refilmagem reservava aos próprios macacos? É demente, é por isso que os originais costumam ser melhores.Fugidos do campo de treinamentos militares onde seriam objetos de tiro ao alvo, Brent e Nova descobrem uma caverna na Zona Proibida e lá se refugiam. Brent descobre escombros da cidade de Nova York e uma civilização de humanos mutantes deformados pela radiação. Esses humanos são dotados de poderes paranormais e possuem uma seita que adora uma bomba nuclear. Aqui o filme revela sua faceta mais perturbadora. Os mutantes torturam Brent mentalmente e fazem com que ele tente matar Nova. Aprisionado, ele revela que os macacos estão vindo em direção à Zona Proibida. Na cela de sua prisão ele encontra seu amigo Taylor (o astronauta do primeiro filme) e lá sob influência mental de um mutante eles são obrigados a lutar entre si. Essa é mais uma cena revoltante onde os heróis dominados são usados como peões de uma raça evoluída e desprezível. Com um golpe de sorte eles conseguem matar o mutante, e fogem com Nova. Mas já é tarde demais, pois os macacos já haviam descoberto o esconderijo mutante e começam uma batalha sangrenta. Nova é brutalmente assassinada por um batedor Gorila. Taylor e Brent tentam evitar que os loucos mutantes usem a bomba do juízo final, no entanto Taylor é atingido por Ursus e Brent é brutalmente fuzilado. Quando tudo já está dado por perdido, Taylor, seriamente ferido e sem mais esperança, em um ato de puro revanchismo ativa a bomba do juízo final. Pesadamente a tela vai escurecendo e ouvimos um narrador em off dizendo: “Entre incontáveis bilhões de galáxias do universo, existe uma estrela de tamanho médio. E um de seus satélites, um planeta verde e insignificante, agora está morto”.

Um clima ruim se instala ao final da projeção, quando se constata que os personagens pelos quais torcemos falham e são brutalmente assassinados. Os pensamentos sobre uma possível hecatombe nuclear, todas as metáforas na história e a revolta da manipulação dos heróis nos leva a uma profunda reflexão sobre as irracionalidades do homem. Um filme feito no auge da guerra fria, com os medos e questionamentos vigentes àquela época, possuidor de alfinetadas inteligentíssimas pra cima da sociedade e da religião, e que ainda por cima tocava em um tema considerado tabu - que é a retórica do Homem ter evoluído de um grupo de primatas. Esses e muitos outros aspectos, além da história por si só, fazem desses dois filmes uns CLÁSSICOS da Ficção Científica, aos quais o novo filme não consegue nem ao menos prestar uma simples homenagem. Existe um consenso geral por parte de quem assistiu aos dois filmes originas de que o novo filme abusa do visual, mas não tem o impacto perturbador dos originais. Superar os originais seria difícil, mas ao menos fazer algo respeitoso seria o sensato.

Uma última consideração a todos os que acharam o novo filme “muito bom”: o final do novo filme é um final de um dos roteiros REJEITADOS para o segundo filme da série – De Volta ao Planeta dos Macacos. Nem em sua piada sem graça que foi aquele final de filme Tim Burton conseguiu ser original...

Curiosidades:
Arthur P. Jacobs
, o produtor da saga símia, empolgado com o sucesso do primeiro filme de 1968 resolveu fazer essa continuação, em uma época em que continuações eram consideradas caça níqueis sem valor em Hollywood. No entanto Jacobs via uma série de infinitas possibilidades a serem exploradas no universo pós-apocalíptico do Planeta dos Macacos.
Chalton Heston inicialmente recusou reviver o personagem Taylor, porém convencido por Richard Zanuck (produtor da Fox) aceitou voltar ao papel com a condição de que aparecesse só no início, e de que morresse no final do filme. Para atestar seu desdém pelo projeto, Heston nem sequer cobrou cachê por sua participação: seu salário foi doado a causas assistenciais.
O novo Planeta dos Macacos tem como final de um dos roteiros rejeitados para essa continuação. Isso é mais do que suficiente para atestar a mediocridade da nova versão.Somente os dois primeiros filmes são plausíveis, o terceiro, quarto e quinto filmes da série eu só recomendo para aficcionados, pois os mesmos perdem muito no quesito seriedade: Afinal, o Planeta Terra explodiu no fim do segundo filme.
Com os filmes da saga Planeta dos Macacos, as continuações/franquias passaram a ser novamente aceitas em Hollywood.
Cada grupo de Macacos representava uma parte da sociedade americana: os Gorilas dos filmes representam os Negros, os Chimpanzés os Judeus e os Orangotangos o governo.

3 comentários:

Anônimo disse...

"Isso vai te ajudar a não ficar magoadinha. "

Hahahahahaha!

ADORO isso em vc, não deveria mas... ;-)

Paulinho Tanner disse...

that's the way

Anônimo disse...

FORA COM A MACACADA, TANNER! .)

lembro que tu me disse que viu esse filme quando eu nasci (no mesmo dia), passados 24 anos, ainda nao deu pra esquecer?? hehehehehehe
(faria um bem pra voce...esquecer o filme nao a Coop., deixando claro)
*brincadeirinha*

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